“Agora desaparece, antes que eu perceba o quanto vou sentir sua falta.
Tudo aquilo que nunca foi dito. (via
blindar)
“Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades. Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter. Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar.
“Você não pode me ligar e dizer que sente minha falta. Eu não quero ter esse tipo de conversa pelo telefone. Você não pode me enviar mensagens, nem emails, nem deixar recados no meu facebook. Se você sente mesmo minha falta, precisa crescer, botar o pé no caminho e vir aqui me ver.
“Entre eu e você, entre nós, sobre nós, ninguém, nunca saberá de tudo.
Felipe e Amanda se conheceram numa boate movimentada da cidade, Amanda estava um pouco alterada no dia, e hoje fazem um ano de namoro, uma data importante em qualquer relacionamento.
1 de fevereiro, de 2013. Ás 9:00 da manhã
Como todos os adolescente nas férias, Amanda, costumava levantar da cama só depois das treze da tarde. Mas, escuta seu telefone tocar em plena ás nove da manhã.
— Bom dia amor.
— Bom dia? Bom dia é o caralho, Felipe. Sabe que horas são agora? Nove da manhã, vou repetir. Nove da manhã.
— Sempre de mau humor quando acorda. Você não muda mesmo em.
— E se for pra ficar dando lição de moral a essa hora, vou desligar.
— Ok, grosseria do caralho em Amanda. Liguei pra te desejar um ano de namoro. Se é que se lembra.
Ela olha a data no celular, e vê “1 de fevereiro, sexta-feira.” — Felipe, desculpa. Meu Deus. Eu lembro, claro. Mas não sabia que já era dia primeiro, você sabe né… Férias. Perco a noção de data, hora, tudo.
— Pois é. Feliz um ano de namoro, tá? Estressadinha.
— Olha, já pedi desculpas. Ingrato.
— Não vamos brigar justo hoje né?
— Feliz um ano de namoro, amor. Eu te amo muito. Você foi a melhor coisa que me aconteceu, obrigada por tudo. Por ter paciência com esse meu jeito, comigo. Obrigada por ficar.
— Eu te amo muito.
— O que vamos fazer hoje?
— Tava pensando em sair mais tarde.
— Aonde?
— Sei lá. Tendo você, pra mim qual quer lugar serve.
— Tudo bem, vou levantar agora, escovar os dentes, tomar um banho. Depois te dou um toque e você retorna, tá?
— Sempre marrando créditos, né?
— Sempre.
Eles desligam. Amanda, toma seu banho. E da um toque no celular dele, e ele retorna.
Ás 14:00 da tarde.
— Mil anos depois.
— Lavei meu cabelo.
— Ata, e ai, o que vamos fazer mais tarde?
— Cade meu sogrão, e minha sogrinha?
— Viajaram.
— Tá sozinho?
— Eu e Deus, e você no meu coração.
Ela rir. — Idiota. Você tá sozinho em casa, seus pais viajaram e você não me fala nada?
— Viajaram hoje de manhã, na hora que eu te liguei.
— Eles voltam quando?
— Semana que vem.
— E você tá pensando no lugar pra gente ir, com sua casa vazia?
— Sua mãe vai deixar você vim pra minha casa, comigo sozinho aqui?
— Ela precisa saber?
— É Amanda, você e suas fugidinhas.
— Cala a boca, que foi nessas fugidinhas que a gente se conheceu.
— Serio que você tava naquela boate escondida?
— Vai zoar agora?
— Eu não. Criançinha, bebezinha da mamãe.
— Vai se foder.
— Vamos comigo hoje.
— Aonde?
— Foder uê, lerda.
— Só porque me chamou de lerda, não vou.
— Não queria também.
— Não quer foder comigo, Felipe? Serio?
— Nossa, foder contigo deve ser bom.
— Ah, tudo comigo é bom.
— Convencida.
— Olha, vou falar pra minha mãe que vou dormir na casa da Juliana, e vou pra sua casa tá?
— Sera que vai da certo?
— Sempre dá.
— Que horas vai vim?
— Daqui a uma hora eu to aí.
— Vai dormir aqui em casa?
— Não Felipe, vou dormir na calçada.
— Ata, pode dormir lá, se quiser te empresto um pedaço de papelão.
— Idiota, vou arrumar minhas coisas, e vou pra ai.
— Estou te aguardado, pelado.
Ela rir. — Tchau Felipe, tchau.
16:30 da tarde.
Amanda sai de casa, pega um taxi, e vai pra casa dele. Ela pega seu celular, e manda um sms “Estou na porta, abre logo, a porra desse portão.” Felipe sai lá fora, abre o portão e entra junto com ela.
— Sempre enrolada né Amanda, “daqui uma hora eu to aí amor.”
— To aqui, num to?
— Não. Essa não é você. É ilusão de óptica.
— Retardado.
— Aluguei três filmes pra gente ver.
— Qual? Alugou terror?
— Sexo sem compromisso, Amor e outras drogas e Pânico na Ilha.
— Sexo sem compromisso, me parecer ser bom.
— Fazer é melhor.
— Sem compromisso?
— Com você é com compromisso.
— Sexo comigo?
— Não teria um presente melhor do que esse.
— É Felipe, você não toma jeito.
— Me descontrolo perto de você.
— Não me resiste.
— Não mesmo. Você é gostosa pra caralho.
— Sou mesmo.
— Não elogio mais.
— Isso não é um elogio, é um fato.
Os dois começam a rir.
— Posso te comer hoje?
— Felipe, olha a linguagem.
— Desculpa minha donzela. Você quer ter relações sexuais seguraras comigo?
— Eu quero.
— Te foder a madrugada inteira.
— Olha o respeito, mocinho.
— Vou te mostrar o respeito na cama.
“Minha vontade agora é sumir. Chamar você. Me esconder. Ir até a sua casa e te beijar e dizer que te amo e que você é importante demais na minha vida… Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você…
“Guarde suas expectativas. Ou se possível, não crie expectativas. Se você espera muito e nada acontece, você se decepciona. Se você espera nada e algo acontece, você se surpreende. Você vai perceber que tudo pelo qual você se preocupou foi apenas perda de tempo. Se der certo, você se preocupou com tudo à toa. Se der errado, você se preocupou com algo que nem valia a pena ter investido o seu tempo. Pare de criar expectativas, pare de se decepcionar e se surpreenda.
“Todos deveriam ter um lugar favorito no universo, um lugar que dê a sensação de que você vai escapar do que for, de seja lá o que você está sentindo. Aquele lugar onde as pessoas de quem você gosta vão te procurar quando você provavelmente sumiu por não aguentar a barra, como acontece no cinema, quando os personagens estão perdidos, prostrados ou loucos de amor.
“Não vou implorar, você está correndo pra um lado oposto ao meu, e por mais que doa, eu vou suportar. Talvez essa seja uma dessas batalhas exigidas da vida, dessas que fazem você arranhar um dos joelhos, talvez até um pouco do rosto, mas que você consegue se erguer, consegue mesmo que cambaleando andar e talvez correr. Mas quando eu estiver a ponto de bala, ponto pra sobrevoar todo o teu céu, pronto pra seguir em frente sem tropeçar, por favor não me procura, não coloca o passado no futuro. Não coloca você em mim, não novamente, porque no fim você nunca fica.